do
mundo, Onça castanha e destemida.
No
campo rubro, a Asma azul da vida
à
cruz do Azul, o Mal se desmantela.
Mas
a Prata sem sol destas moedas
perturba
a Cruz e as Rosas mal perdidas;
e a
Marca negra esquerda inesquecida
corta
a Prata das folhas e fivelas.
E
enquanto o Fogo clama a Pedra rija,
que
até o fim, serei desnorteado,
que
até no Pardo o cego desespera,
o
Cavalo castanho, na cornija,
tenha
alçar-se, nas asas, ao Sagrado,
ladrando
entre as Esfinges e a Pantera.
(O Mundo do Sertão, Ariano Suassuna)
Espero que todos estejam
seguros e fortes!
Hoje a postagem é em
homenagem ao dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta e professor brasileiro: Ariano Vilar Suassuna ou apenas, Ariano
Suassuna. Seguindo a
pesquisa feita a vocês leitores, entre gostos e sugestões, mais uma série ao
redor de curiosidades!
Considerado integrante
do movimento modernista da geração de 45, reuniu
em sua obra movimentos como o simbolismo, o barroco e a literatura de cordel, uma das
maiores expressões literárias do Nordeste. Ariano foi idealizador do Movimento
Armorial e por entender a arte como uma espécie de missão, ministrava suas
“aulas-espetáculo” em teatros e universidades de todo o país. Chamava os
encontros de Circo da Onça Malhada, pois acreditava que a onça é como o povo
brasileiro, misturado em suas cores e formas.
Além de defender a cultura
brasileira e a identidade nacional contra tudo aquilo que chamava de “lixo
cultural”. Não apreciava a cultura norte-americana, dizia não ter o mínimo
interesse e até fazia piadas sobre esse seu descaso – pelas produções da Disney.
Conhecendo um pouco mais..
1) Escrevia tudo à mão,para ele era “meio desumano
escrever pelo computador”.
2) Ariano era apaixonado por Cevantes,
Dostoiévsky e Tolstói. Apaixonado por Guerra e Paz, de Tolstói, sabia de cor
alguns trechos do livro.
3) Suas
ideias surgiam quando estava na cama, sendo que algumas foram inspiradas em
sonhos. Em uma entrevista para o jornal de Folha de São Paulo, o escritor
revelou: “Às vezes eu tenho uns sonhos que se transformam em literatura. Tenho
um poema chamado ‘Sonho’ que foi um sonho. E às vezes quando não estou acordado
ainda, mas não estou mais dormindo, é o momento que invento muito, muito
criativo.”
4) Voar
não era com ele. Para Ariano só existia dois tipos de viagem de avião: as
tediosas e as fatais. “Avião é tão ruim que você torce para a viagem ser
tediosa porque quando sai da rotinha, buummm!”.
5) Chamava a morte de Caetana: assim
é como chamam a morte no sertão da Paraíba e de Pernambuco. "Como o povo
sertanejo é machista, só criou a morte feminina. Aí eu, de minha parte, já
inventei a contrapartida masculina. Eu acho que a morte aparece como mulher aos
homens e como homem às mulheres", disse Suassuna em entrevista ao jornal
Folha de S. Paulo.
6) Suassuna , desde 1981 até sua morte, trabalhou em
uma obra inédita: a
série “A Ilumiara” começou a ser escrita 33 anos atrás e mescla romance,
poesia, teatro e gravuras do próprio poeta. Depois
de terminar “O Jumento Sedutor”, o primeiro romance dos sete livros ao todo, o escritor declarou ter feito um acordo com Deus, "Se ele achasse que o
romance tinha alguma coisa de sacrilégio ou de desrespeitoso, que interrompesse
pela morte.
Cuidem-se. Se possível, fiquem em casa. Espero que tenham gostado! Deixem nos comentários sugestões e opiniões a cerca do BLOG.


Acho que seria importante acrescentar as datas das entrevistas. As datas poderiam dar uma noção de como mudou a visão de Ariano Suassuna.
ResponderExcluir