quarta-feira, 22 de abril de 2020

Rei do sertão, em palavras e rimas, pela escrita e voz: Ariano Suassuna




Diante de mim, as malhas amarelas
do mundo, Onça castanha e destemida.
No campo rubro, a Asma azul da vida
à cruz do Azul, o Mal se desmantela.
Mas a Prata sem sol destas moedas
perturba a Cruz e as Rosas mal perdidas;
e a Marca negra esquerda inesquecida
corta a Prata das folhas e fivelas.
E enquanto o Fogo clama a Pedra rija,
que até o fim, serei desnorteado,
que até no Pardo o cego desespera,
o Cavalo castanho, na cornija,
tenha alçar-se, nas asas, ao Sagrado,
ladrando entre as Esfinges e a Pantera.
(O Mundo do Sertão, Ariano Suassuna)




Espero que todos estejam seguros e fortes! 

Hoje a postagem é em homenagem ao dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta e professor brasileiro: Ariano Vilar Suassuna ou apenas, Ariano Suassuna.  Seguindo a pesquisa feita a vocês leitores, entre gostos e sugestões, mais uma série ao redor de curiosidades!


Considerado integrante do movimento modernista da geração de 45, reuniu em sua obra movimentos como o simbolismo, o barroco e a literatura de cordel, uma das maiores expressões literárias do Nordeste. Ariano foi idealizador do Movimento Armorial e por entender a arte como uma espécie de missão, ministrava suas “aulas-espetáculo” em teatros e universidades de todo o país. Chamava os encontros de Circo da Onça Malhada, pois acreditava que a onça é como o povo brasileiro, misturado em suas cores e formas.

Além de defender a cultura brasileira e a identidade nacional contra tudo aquilo que chamava de “lixo cultural”. Não apreciava a cultura norte-americana, dizia não ter o mínimo interesse e até fazia piadas sobre esse seu descaso – pelas produções da Disney.


Conhecendo um pouco mais..


1)  Escrevia tudo à mão,para ele era “meio desumano escrever pelo computador”.

2)  Ariano era apaixonado por Cevantes, Dostoiévsky e Tolstói. Apaixonado por Guerra e Paz, de Tolstói, sabia de cor alguns trechos do livro.

3) Suas ideias surgiam quando estava na cama, sendo que algumas foram inspiradas em sonhos. Em uma entrevista para o jornal de Folha de São Paulo, o escritor revelou: “Às vezes eu tenho uns sonhos que se transformam em literatura. Tenho um poema chamado ‘Sonho’ que foi um sonho. E às vezes quando não estou acordado ainda, mas não estou mais dormindo, é o momento que invento muito, muito criativo.”

4)  Voar não era com ele. Para Ariano só existia dois tipos de viagem de avião: as tediosas e as fatais. “Avião é tão ruim que você torce para a viagem ser tediosa porque quando sai da rotinha, buummm!”.

5) Chamava a morte de Caetana: assim é como chamam a morte no sertão da Paraíba e de Pernambuco. "Como o povo sertanejo é machista, só criou a morte feminina. Aí eu, de minha parte, já inventei a contrapartida masculina. Eu acho que a morte aparece como mulher aos homens e como homem às mulheres", disse Suassuna em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

6) Suassuna , desde 1981 até sua morte, trabalhou em uma obra inédita:  a série “A Ilumiara” começou a ser escrita 33 anos atrás e mescla romance, poesia, teatro e gravuras do próprio poeta. Depois de terminar “O Jumento Sedutor”, o primeiro romance dos sete livros ao todo, o escritor declarou ter feito um acordo com Deus, "Se ele achasse que o romance tinha alguma coisa de sacrilégio ou de desrespeitoso, que interrompesse pela morte.

Cuidem-se. Se possível, fiquem em casa. Espero que tenham gostado! Deixem nos comentários sugestões e opiniões a cerca do BLOG. 

Um comentário:

  1. Acho que seria importante acrescentar as datas das entrevistas. As datas poderiam dar uma noção de como mudou a visão de Ariano Suassuna.

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